Novas mensagens revelam que Bolsonaro decidiu demitir Valeixo unilateralmente

Atualizado: Mai 25

Uma cobrança de troca do comando da PF ocorreu poucas horas antes da reunião ministerial do dia 22 de abril.

Novas mensagens de Jair Bolsonaro (sem partido) ao ex-ministro Sergio Moro (Justiça) reforçam a versão do ex-juiz de que o presidente tentou intervir na Polícia Federal trocando o ex-diretor-geral Maurício Valeixo.


Uma cobrança de troca do comando da PF ocorreu poucas horas antes da reunião ministerial do dia 22 de abril.


Em texto enviado às 6h26 daquela quarta-feira, Bolsonaro escreveu: "Moro, Valeixo sai esta semana", afirmou. "Está decidido".


A seguir, enviou: "Você pode dizer apenas a forma. A pedido ou ex oficio [sic]."


As mensagens foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela reportagem.


Moro respondeu 11 minutos depois e pediu para conversar pessoalmente com Bolsonaro sobre o assunto. "Estou a disposição para tanto", escreveu.


As mensagens constam do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura as acusações de Moro, que deixou o governo acusando o chefe de tentar interferir politicamente na Polícia Federal.


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Valeixo foi exonerado no dia 24 de abril, um dia depois de o presidente avisar a Moro que havia decidido trocá-lo, o que levou à demissão do ex-juiz do Ministério da Justiça.


Na manhã do dia 23, o presidente enviou uma mensagem a Moro falando da troca de Valeixo. Ao citar matéria do site O Antagonista intitulada "PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas", Bolsonaro escreveu "Mais um motivo para a troca", se referindo à sua intenção de tirar Valeixo do comando da corporação.


Bolsonaro nega que, durante a reunião no Planalto do dia 22 de abril, tenha se referido especificamente à PF em suas falas.


Afirma que jamais buscou pressionar Moro para mexer na corporação com o objetivo de influenciar em investigações ligadas a questões pessoais ou familiares.


Na sexta-feira (22), foi divulgada a gravação da reunião entregue pelo governo ao STF no inquérito.


O teor do vídeo e os depoimentos em curso são decisivos para a PGR (Procuradoria-Geral da República) concluir se irá denunciar o presidente Jair Bolsonaro por corrupção passiva privilegiada, obstrução de Justiça e advocacia administrativa por tentar interferir na autonomia da Polícia Federal.


À noite, no Palácio da Alvorada, Bolsonaro repetiu que não tentou interferir na Polícia Federal, como acusou Moro.


"Nunca interferi na PF, mas, coincidência, só depois da saída do Sergio Moro que a PF começou a andar pra frente. Eu nunca interferi, sempre liberdade total", afirmou.

Por Marcos Alexandre com informações da Folha de São Paulo


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